O primeiro “dentista” da História pode ter sido um Neandertal

Durante décadas, acreditou-se que os primeiros tratamentos dentários tinham surgido há cerca de 14 mil anos, já com o Homo sapiens. Uma descoberta publicada em maio de 2026 veio mudar essa ideia: o primeiro dentista da história pode ter sido um Neandertal, que há cerca de 59 mil anos terá perfurado um dente com uma ferramenta de pedra para aliviar a dor de uma cárie profunda.

O caso interessa a arqueólogos e antropólogos, mas também diz muito a quem trabalha em medicina dentária: o procedimento tem pontos em comum com o tratamento que hoje fazemos para salvar um dente com a polpa infetada.

Um molar com 59 mil anos e sinais de tratamento

O dente, um molar inferior de um Neandertal adulto, foi encontrado em 2016 na gruta de Chagyrskaya, na região de Altai, no sudoeste da Sibéria. Durante anos, não foi claro o que teria causado a cavidade profunda na sua superfície.

O estudo, liderado pela investigadora Alisa Zubova e publicado na revista científica PLOS One a 13 de maio de 2026, analisou o dente com microscopia e tomografia computorizada. Os investigadores identificaram uma cárie severa que atingia a polpa dentária, a zona onde se encontram os nervos e os vasos sanguíneos, e uma cavidade com marcas finas nas paredes, compatíveis com um movimento rotativo de perfuração.

Para testar a hipótese, a equipa reproduziu o procedimento em dentes humanos atuais, utilizando pequenas ferramentas de pedra semelhantes às encontradas na própria gruta. As marcas obtidas eram idênticas às do molar de Neandertal.

Há ainda um detalhe relevante: o desgaste posterior do dente mostra que este indivíduo sobreviveu à intervenção e continuou a mastigar com o mesmo dente durante um período considerável.

Porque é que esta descoberta muda a história da medicina dentária

Até agora, o registo mais antigo de tratamento dentário conhecido pertencia a um dente humano encontrado em Itália, com cerca de 14 mil anos. Esta descoberta recua a história da medicina dentária em mais de 40 mil anos e atribui o primeiro tratamento conhecido a uma espécie diferente da nossa.

Para realizar este procedimento, era necessário:

  • identificar o dente que estava na origem da dor;
  • compreender que remover o tecido afetado poderia trazer alívio;
  • escolher uma ferramenta adequada;
  • executar movimentos precisos, num paciente consciente e sem qualquer anestesia.

Mais do que um achado arqueológico, o dente de Chagyrskaya mostra que a dor dentária sempre foi um problema sério para o ser humano e que a vontade de a tratar é muito mais antiga do que se pensava.

Da pré-história à medicina dentária moderna

O que o Neandertal tentou fazer, remover o tecido infetado do interior do dente, é na essência o princípio do tratamento endodôntico, a chamada desvitalização.

Quando uma cárie profunda ou uma fratura atinge a polpa, as bactérias provocam inflamação e infeção no interior do dente. Na endodontia, o médico dentista remove a polpa afetada, limpa e desinfeta os canais radiculares e sela-os, preservando o dente natural. Hoje, este tratamento é feito com anestesia local e com técnicas como o isolamento absoluto, que protege o dente da contaminação durante o procedimento.

Os sinais mais comuns de que a polpa pode estar afetada são:

  • dor de dentes intensa ou que surge de forma espontânea, sobretudo à noite;
  • sensibilidade ao frio ou ao calor que se prolonga depois do estímulo;
  • dor ao mastigar ou ao tocar no dente;
  • inchaço da gengiva ou da face junto ao dente;
  • escurecimento do dente.

Perante estes sinais, o diagnóstico precoce aumenta as probabilidades de salvar o dente.

Na Bocca Clínica, continuamos a cuidar dos sorrisos — agora com mais de 59 mil anos de evolução

A saúde oral é muito mais do que estética. Está ligada ao conforto, à qualidade de vida e ao bem-estar geral.

E embora já não utilizemos ferramentas de pedra, a missão mantém-se a mesma desde os tempos pré-históricos: aliviar dor, preservar dentes e cuidar de cada sorriso com precisão e dedicação.

Se tem dor de dentes ou algum dos sinais descritos, agende uma consulta de avaliação na Bocca Clínica, no Porto.

Fontes:

Público

Reuters

The Washington Post

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Revisão clínica e especializada por Dr. Jaime Guimarães | Cédula OMD nº 1057

Médico Dentista, especialista em Cirurgia Oral pela Ordem dos Médicos Dentistas. Director Clínico da Bocca Clínica no Porto, com vasta experiência na coordenação de tratamentos multidisciplinares. O Dr. Jaime Guimarães supervisiona a linha editorial deste blog, garantindo o rigor científico e a clareza das informações partilhadas sobre saúde oral.

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