Medicina Dentária Pós Covid-19

9 Maio, 2020
Todos sabemos as implicações que a Covid-19 vem provocando em cada pessoa, em cada ...

Todos sabemos as implicações que a Covid-19 vem provocando em cada pessoa, em cada família, em cada atividade. É evidente que, em primeiro lugar, está a saúde de cada um de nós, de cada familiar, de cada amigo, enfim, da população em geral, mas não podemos dissociar esta pandemia dos respetivos efeitos, nomeadamente nas relações interpessoais, sociais ou profissionais... 

Depois deste confinamento, e do inevitável período de reflexão a ele associado (e porque os números epidemiológicos estão relativamente controlados), necessitamos de voltar paulatinamente ao nosso quotidiano. A vida tal como a levávamos num passado recente não será recuperável de forma automática. Regressaremos agora ao nosso dia-a-dia de forma diferente, dando importância e atenção aos comportamentos individuais e comunitários, essenciais para o nosso bem físico e mental.

No que respeita à Medicina Dentária, esta atividade foi encerrada (e bem) por decreto-lei no início da pandemia, pois os Médicos Dentistas desenvolvem o respetivo trabalho a pouca distância da boca, porta de transmissão do Coronavírus. Fez-se uma pausa e, nesse tempo, procuraram-se procedimentos que assegurem segurança para todos: para os médicos e para os pacientes. Ora, depois de conhecidos os mecanismos de proteção importantes para evitar a transmissão interpessoal do vírus, as consultas de Medicina Dentária poderão continuar a ser realizadas, desde que se cumpram as exigentes diretrizes transmitidas pela Direção Geral da Saúde e pela Ordem dos Médicos Dentistas. Se havia profissão que já possuía medidas ímpares de desinfeção e esterilização era a Medicina Dentária, agora esses cuidados serão ainda maiores.

A Medicina Dentária implica contacto, devido à proximidade com a boca do paciente, com micro-organismos e com probabilidade de infeções cruzadas, mas estamos também a falar de uma profissão que se soube adaptar no tempo e ultrapassar os obstáculos decorrentes das medidas de autoproteção. Recordo o exemplo do HIV nos anos 80 e de como, a partir desse momento, qualquer paciente era sempre encarado para fins de proteção como de risco. Com a Covid-19, as medidas vão ser ainda mais exigentes, para segurança e confiança de TODOS. Esses procedimentos não vão ser difíceis de implementar, pois os Médicos Dentistas, sempre que têm uma consulta, não estão somente preocupados com a situação clínica, mas também com os procedimentos de desinfeção e esterilização. Aliás, o primeiro ato que fazem é a colocação de uma máscara e de luvas, algo ímpar em qualquer profissão até à data.

Estamos a viver tempos singulares, que devem ter respostas únicas. Por parte dos Médicos Dentistas e desta clínica em particular, estamos esclarecidos e precavidos acerca das medidas de segurança a adotar e munidos de equipamentos necessários para nossa proteção e proteção dos doentes. Só desse modo conseguiremos voltar ao nosso quotidiano. 

Retomamos assim a nossa actividade para voltar a cuidar da sua saúde oral, não esquecendo que todos nós também temos família e, no final do dia, queremos regressar a casa com a máxima segurança. 

Voltamos ainda mais fortes e seguros. Por si e por nós!

Problemas da Articulação Temporo - Mandibular

14 Fevereiro, 2020
Cada vez mais pessoas se dirigem ao especialista em Ortodontia a fim de tratarem transtornos da a...

Cada vez mais pessoas se dirigem ao especialista em Ortodontia a fim de tratarem transtornos da articulação temporo-mandibular (ATM). Esta articulação faz a união da mandibula (maxilar inferior) com o osso temporal (um osso do crânio), sendo uma das articulações mais complexas do ser humano. 

Esta patologia é muito diversa, podendo os sintomas irem de um simples mal-estar no abrir e fechar da boca, a situações mais graves, tais como dor, limitação da abertura bucal ou ruídos na função mastigatória. Um bom diagnóstico é imprescindível para se saber qual a estrutura da ATM que está afetada: os ligamentos,  a capsula articular ou mesmo a anatomia óssea. Hoje, um TAC da ATM ou uma ressonância magnética são mais do que suficientes para se fazer um diagnóstico conclusivo. É importante saber que este tipo de patologia resulta muitas vezes de distúrbios psicossomáticos e estes são geralmente a ponta do gatilho para desencadear situações clínicas mais graves.

O tratamento de primeira eleição passa pela colocação de uma férula oclusal: uma placa rígida que fica interposta entre os dentes superiores e inferiores. Acerca deste dispositivo, existe muita confusão por parte de pacientes, técnicos de prótese e mesmo colegas de profissões. Uma férula para tratamento da disfunção articular não equivale a uma férula termoplástica a que se recorre para que os dentes não se desgastem. Os pacientes que possuem essa patologia podem usar uma férula (também designada como goteira), mas isso não resolve o problema articular. Uma goteira de relaxamento para a ATM é uma férula rígida, feita em acrílico, enviada para o laboratório mediante uma determinada guia de construção concebida pelo Ortodontista. Essa guia é muito importante, pois vai simular os movimentos ideais que o paciente nesse momento não possui: uma mordida bibalanceada mutuamente protegida com protrusão. Hoje estas goteiras já são realizadas com tecnologia 3D, possuindo assim um excelente encaixe. Posteriormente, será necessário fazer consultas de controlo, para proceder a pequenos desgastes na goteira a fim de ir melhorando os contactos dentários, que, por sua vez, aperfeiçoam a articulação.

Existem outros tratamentos mais complexos, passando pela própria cirurgia. Felizmente estes casos são raros. Na maioria das vezes, com um tratamento simples de uma goteira apropriada, resolve-se grande parte dos problemas.

Resta referir que nunca se deve começar um tratamento ortodôntico com qualquer tipo de aparelho, quando o paciente possui uma patologia articular. Primeiro deve-se estabilizar os problemas articulares e só depois se coloca o aparelho dentário, até porque um aparelho dentário, por si só, não melhora transtornos da ATM.

A Ortodontia Invisível como 1ª opção

5 Fevereiro, 2020
Problemas dentários estéticos e transtornos funcionais e/ou esqueléticos nos...

Problemas dentários estéticos e transtornos funcionais e/ou esqueléticos nos maxilares são as principais razões que levam os pacientes a procurar um especialista em Ortodontia. Neste contexto, o mais habitual é relacionar os tratamentos ortodônticos com a estética dentária e aí a ortodontia invisível ganha uma enorme importância. 

Quando se procura um tratamento por razões estéticas, um dos principais motivos para a não realização de um tratamento ortodôntico reside no uso de aparelhos ortodônticos visíveis. Na verdade, parece um contrassenso o facto de o paciente querer melhorar a sua estética dentária e o meio para tal acontecer ter de ser inestético.  Esse problema redimensiona-se, quando o paciente é adulto e é obrigado a transportar na boca um aparelho para múltiplas situações sociais/profissionais. Ora, hoje, estes constrangimentos deixaram de fazer sentido, porque poderão facilmente neutralizados, se se fizer outra opção.  

Agora, o paciente já pode realizar o seu tratamento de Ortodontia sem que isso seja visível para as demais pessoas. Tal possibilidade permite tratamentos mais longos, melhorando-se, dessa forma, a qualidade do que está a ser feito. Centrando-me na minha prática clínica, constato que a prescrição de aparelhos ortodônticos invisíveis assume-se como primeira opção, principalmente no tratamento de adultos. Vivendo hoje em ambientes tecnológicos em contínuo desenvolvimento, será decerto anacrónico usar um aparelho dentário por fora da boca, cinzento e cheio de arames. 

Para que as pessoas saibam quais as opções disponíveis quando pensam em colocar um aparelho invisível, estas dividem-se nos aparelhos linguais ou nos alinhadores transparentes.

Na Ortodontia lingual, o aparelho é colocado na face interna dos dentes, não se vendo qualquer dispositivo por fora da boca; na Ortodontia com alinhadores procede-se à colocação de placas finas transparentes que se vão trocando à medida que os dentes se vão movendo. Sublinhe-se que este tipo de tratamentos só pode ser realizado por um profissional com formação especializada, devendo estar devidamente certificado para a utilização deste género de tratamento invisível. Por outro lado, este tipo de aparelhos exige do especialista em Ortodontia uma curva de aprendizagem elevada, sendo a experiencia do profissional neste género de aparelhos importante para o sucesso do tratamento. 

Falemos de uma questão que não será certamente despicienda: o preço. Sendo mais complexos, envolvendo mais tecnologia, apresentando outra eficiência, exigindo mais formação profissional e mais tempo de consulta, estes aparelhos são mais caros do que os aparelhos convencionais. Não será isso uma surpresa para ninguém. Contudo, esse custo acrescido é bem justificado pela previsibilidade de resultados, comodidade de utilização, motivação pelo tratamento e, principalmente, pela estética que proporcionam. Por estas razões, os pacientes estão progressivamente a preferir esta solução. Que será, decerto, uma opção de futuro. 

Ortodontia de Adultos, é possível?

30 Janeiro, 2020
    Quantas vezes os pacientes insistem em pensar que, chegados a determinada ida...

 

 

Quantas vezes os pacientes insistem em pensar que, chegados a determinada idade, o tratamento dos dentes com um aparelho já não é eficaz. A persistência em olhar de forma errada para esta situação transforma o enviesamento numa certeza, sem qualquer evidência científica. “Na minha idade os dentes já não mexem”: eis um dos grandes mitos da ortodontia que urge combater. Com argumentos consistentes. 

Para que exista movimento dentário, são necessários apenas dois elementos: o paciente ter osso à volta do dente e ser aí aplicada uma dada força através de um aparelho. Todas as pessoas, de idades mais precoces a idades mais avançadas, possuem osso a circundar dentes, desde que os possuam. Em quantidade variável, é certo, mas o osso está sempre lá. E somos nós, Médicos Especialistas, que, através de determinado tipo de aparelhos, aí colocamos a força ideal para que se desencadeie o devido movimento dentário. Deste modo, qualquer paciente, em qualquer idade, pode realizar um tratamento ortodôntico, sem qualquer perigo para a sua saúde oral ou geral. 

Contudo, há que perceber donde surgem as inverdades que invadem discursos de senso comum. Antigamente, a maior parte dos tratamentos eram realizados em crianças ou adolescentes. Os adultos exigiam tratamentos tecnicamente mais complexos, sendo poucos os Médicos Especialista em Ortodontia que arriscavam desenvolver esse trabalho. Explica-se, em parte, o desconhecimento ainda generalizado quanto aos tratamentos possíveis em idade adulta. 

Com o passar do tempo, registou-se uma assinalável evolução dos aparelhos e técnicas ortodônticas e sentiu-se uma mudança importante na procura dos tratamentos dentários por parte dos pacientes, nomeadamente dos adultos que hoje tanto valorizam não só a sua saúde oral como a parte estética da sua boca. Neste contexto, a Ortodontia de adultos foi aumentando de forma exponencial, representado atualmente a maior parte dos pacientes numa clínica de ortodontia.

Sublinhe-se que, nos dias que correm, um adulto pode fazer todo este tipo de tratamento com um aparelho invisível, o aparelho lingual, sem que ninguém saiba que está a usá-lo. Também não necessitará de prolongar esse uso por muito tempo, na medida em que a eficácia do tratamento é, regra geral, garantida. É igualmente possível recorrer aos chamados alinhadores dentários, que, sendo quase invisíveis, realizam o movimento dentário de forma progressiva, podendo o paciente removê-lo nas refeições para sua maior comodidade. 

Como se percebe, existem no mercado vários tipos de aparelhos dedicados ao tratamento de adulto, que procuram que se cumpra aquilo que um adulto sempre ambiciona no tratamento dos seus dentes. Que tudo seja invisível, rápido e eficaz.

 

Quando realizar um tratamento Ortodôntico?

16 Janeiro, 2020
Procurando a Ortodontia formas de prevenir, interceptar e corrigir as más posiç...

Procurando a Ortodontia formas de prevenir, interceptar e corrigir as más posições dos dentes e dos maxilares, a pergunta inevitável é a de saber quando iniciar um tratamento deste tipo. Pois bem, o início de um tratamento ortodôntico está, em primeiro lugar, relacionado com a condição oral do paciente, isto é, só é possível começar um tratamento quando os dentes e estruturas associadas estão de boa saúde, mas também está ligado à idade cronológica do paciente, que geralmente corresponde com a sua idade dentária, esquelética e psicológica. Questões que exigem um acompanhamento especializado, portanto. 

 

Nas crianças, de acordo com a Associação Portuguesa de Ortodontistas e com outras associações mundiais, é pelos 6 anos que se deve realizar a primeira consulta. Nessa idade, a criança possui uma dentição mista, isto é, apresenta quatro molares e oito dentes incisivos definitivos, sendo a restante dentição constituída por dentes de leite. Alterações e assimetrias da normal erupção dentária, falta de espaço para os dentes permanentes, presença de distúrbios funcionais, alterações do desenvolvimento dos maxilares e presença de mordidas cruzadas podem ser diagnosticadas nestas idades de uma forma simples, evitando tratamentos complexos e demorados, quando feitos na adolescência ou já em idade adulta. Deste modo, fica o alerta aos pais para que, mesmo que a criança tenha um acompanhamento de um Médico Dentista generalista ou Odontopediatra, faça uma consulta de acompanhamento num Especialista em Ortodontia.

É verdade que os tratamentos de Ortodontia costumam estar associados à franja etária da adolescência, pois a dentição permanente fica completa por volta dos 12-14 anos de idade. Trata-se da idade ideal para a correção de problemas esqueléticos e/ou dentários, na medida em que é um período com um elevado metabolismo, contribuindo para que os tratamentos sejam mais eficientes e curtos. Todos já ouvimos a expressão “pico de crescimento”. Nesta idade, esse intervalo de tempo é importantíssimo para realizar determinados tratamentos aos maxilares, favorecendo ou travando o respetivo crescimento. Se, por alguma razão, se deixa passar essa janela terapêutica, isso poderá significará a realização de tratamentos cirúrgicos complexos e custosos em idades adultas. 

Convém, no entanto, sublinhar que a Ortodontia especializada possui um campo de atuação que ultrapassa os limites dos dentes. Um tratamento ortodôntico ajuda a conquistar o que mais se anseia: felicidade. Por isso, os adultos procuram cada vez mais tratamentos de Ortodontia, que devolvem uma desejável estética dentária, melhoram a saúde oral, beneficiando psicológica e socialmente o paciente, já que a estética e a beleza das nossas caras e sorrisos ocupam uma inegável centralidade no conforto que perseguimos nas nossas vida de todos os dias. 

Em conclusão, o Especialista em Ortodontia desempenha um papel fundamental não só na prevenção das más oclusões em tenras idades, intervindo no momento certo com a realização tratamentos adequados à idade do paciente, como  também no tratamento de adultos que anseiam um melhoramento funcional e estético da sua boca e do seu sorriso.